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QUERO INVESTIR MEU DINHEIRO: POR ONDE COMEÇO?

Quem já refletiu sobre o seu futuro financeiro certamente pensou sobre como começar a investir. O verbo talvez soe como uma possibilidade distante para muitas pessoas, mas a verdade é que existem muitas formas de investir – das mais acessíveis às mais sofisticadas. Conhecê-las, escolher a sua própria e dar os primeiros passos devem estar entre as prioridades de quem sonha em ter uma vida confortável para si e sua família.

Este é o conselho da coach empresarial especializada em finanças, Zaira Vasconcelos. “O primeiro passo é ter um projeto de vida, um sonho, um objetivo ou meta que seja realmente importante. Tão relevante que valha a pena o ‘sacrifício’ de abrir mão de algo que possa produzir um prazer imediato para ‘guardar’ dinheiro”. De acordo com a profissional, nessas horas o ideal é ser racional. “Inclusive planejando, da renda total, o que vai ser destinado à amortização de dívidas, o que vai ser guardado e o que vai ser destinado aos gastos mensais. Seguindo esse raciocínio, é possível, durante um prazo definido, além de pagar as dívidas, ter dinheiro guardado”. 

Zaira destaca, como um dos passos mais importantes, a construção de uma reserva de emergência, para desenvolver autoconfiança e tranquilidade – mesmo que o potencial investidor seja funcionário com salário fixo. “Isso vai permitir que a pessoa perceba que o esforço de hoje será muitas vezes recompensado num futuro breve. E aqui tem uma coisa fundamental que é determinar que futuro é esse. Se os objetivos não forem bem específicos, a pessoa pode se desestimular porque só verá o sacrifício e não a recompensa”, completa. 

O Guia Vilas separou, em parceria com o especialista em investimentos da XP em Salvador, Gustavo Andrade, seis passos importantes para começar a investir com solidez: 

  1. PLANEJAMENTO

O primeiro passo para fazer o planejamento como pontapé inicial é entender o contexto e padrão de vida atuais. Em seguida, é preciso traçar objetivos claros e metas palpáveis. O ideal, neste ponto, é saber exatamente onde quer chegar e o que é necessário fazer para chegar lá com mais tranquilidade. 

“E todo este processo não é final, de tempos em tempos é necessário voltar para os passos iniciais, principalmente para saber se está conseguindo chegar mais perto da independência financeira ou se é necessário ajustar as velas para continuar a jornada com tranquilidade”, explica o especialista em finanças Gustavo Andrade.

Algumas perguntas precisam ser feitas, como: qual o montante de cada objetivo? Qual o montante total que a pessoa precisa ter? Quanto ela precisa guardar hoje para alcançar esse objetivo? Sempre com respostas sinceras, orienta Gustavo.

  1. ORGANIZAÇÃO FINANCEIRA PESSOAL

Há uma grande dificuldade enfrentada pelos brasileiros: de conhecer seus números. Utilizam a “contabilidade mental” e não sabem o quanto gastam ou com o que gastam. E isso é muito perigoso.  

O objetivo principal da organização financeira pessoal, segundo Andrade, é manter um equilíbrio entre ganhos e gastos. Gaste menos do que ganha e pague as dívidas, e com o tempo pode conseguir poupar uma parte para o futuro.

Uma ferramenta que pode te ajudar no controle de gastos é a planilha financeira disponibilizada pela Febracis (na 16º edição do Guia Villas você encontra código QR da planilha). Nela, você preencherá tudo o que você recebe e tudo o que gasta – tudo mesmo, até os centavos. Com o planejamento feito, veja onde pode fazer cortes de itens desnecessários para economizar dinheiro.

  1. TENHA UMA RESERVA DE EMERGÊNCIA

Depois de organizar as finanças pessoais e começar a sobrar um pouco de dinheiro para o futuro, ainda não é hora de fazer todo tipo de aplicação. É necessário priorizar uma reserva que possa ser resgatada caso haja alguma emergência. Esse valor pode ser de seis a três meses de despesa mensal. 

“Tem que ser criada antes da pessoa pensar em investimentos maiores. Se ela não tiver um montante maior do que seis meses do salário dela, não valeria a pena fazer a aplicação, já que ela corre o risco de ser resgatada antes do tempo”, diz Gustavo Andrade, especialista em investimentos da XP. 

  1. COMECE COM SEGURANÇA

Se você está começando a investir agora e não se sente muito seguro, é comum que existam algumas dúvidas. Para que você fique dentro de uma zona de conforto de segurança e rentabilidade, a melhor alternativa são os investimentos de renda fixa. 

Neste caso, você compra a dívida de um banco, como é o caso do CDB, ou até mesmo do governo, como no caso do Tesouro Direto, e depois é pago ao final de um prazo com as correções dos juros do período. 

“O que vai determinar quais aplicações a pessoa deve ter vai ser, realmente, o perfil dela. E o perfil tem muito a ver com o como ela se sente à vontade em relação às aplicações”, explica Gustavo. E então chegamos ao próximo passo: descobrir qual o seu perfil de investidor. 

  1. DESCUBRA QUAL O SEU PERFIL DE INVESTIDOR? 

Os perfis do investidor são basicamente três: o conservador, o moderado e o agressivo. “O conservador é aquele que vai querer totalmente segurança, não se importa muito com rentabilidade. O moderado é aquele que quer segurança, mas quer uma rentabilidade um pouco maior, então ele tende a algumas aplicações mais arriscadas. E o agressivo é aquele que vai querer ir pro risco mesmo, vai querer renda variável e aplicações que tenham bastante oscilação”, explica o especialista de investimentos da XP.

6. PACIÊNCIA E DISCIPLINA SÃO FUNDAMENTAIS

Procure pensar sempre nos seus objetivos e aprenda a priorizar seus sonhos. No mundo dos investimentos os resultados geralmente levam tempo para aparecer. Após fazer o planejamento, identificar as finanças pessoais, quanto deve guardar, é só ter paciência e disciplina para seguir o plano, porque não existem ganhos extraordinários.

“É importante ter a paciência de saber que o dinheiro vai crescer, mas não é da noite para o dia, vai ser de pouquinho a pouquinho. Só assim é possível conseguir um montante significativo. É a constância de guardar para o futuro o pouco que sobrar hoje”.

A coach de finanças, Zaira Vasconcelos, indicou uma checklist para você não esquecer: 

  • Organize seu orçamento pessoal e defina logo o valor que quer economizar todo mês e o separe imediatamente; 
  • Se tem dívidas, negocie e comece a pagar com 50% do que você reservou para poupar;
  • Defina objetivos com clareza e estabeleça prazos para realizar;
  • Escolha uma aplicação conservadora inicialmente (risco zero);
  • Comece com o objetivo de ter uma reserva para emergência;
  • O hábito de poupar virá com disciplina. Lembre-se sempre dos seus sonhos para se manter motivado;
  • Qualquer dinheiro é importante. Deixe de lado pensamentos como: é pouco, não adianta guardar.